Thursday, April 19, 2007

Escolhas...

Algumas pessoas comentam que o ponto chave de uma amizade é que você escolhe aquele que será por você chamado de "meu amigo", talvez essa seja uma questão que explique as inúmeras brigas que existem em festa de Família, pois família não se escolhe, você nasce e pronto. No natal, aniversários, reveillon, sempre acontece uma discussãozinha ali, um olhar de lado lá, um "disse me disse”, quando aconteciam esses encontros lá em casa, nessas horas de brigas e discussões, meu padrinho saia de fininho, me chamava e enquanto jogávamos bola no jardim ele falava: "éhhhh doutorzinho Alexandre, família é assim mesmo, tem que aprender a amar as pessoas, afinal a gente não escolhe". Quando crescemos vamos notando que existem outras coisas que não escolhemos, mas que temos que aprender a amá-las, tentar modificá-las, e ainda, em casos extremos deixá-las, um exemplo disso é o país em que nasci, amo suas belezas naturais, sonho utopicamente em querer modificá-lo e constantemente penso em deixá-lo. Por isso hoje passo a palavra a um país escolhido por mim, meu “País Amigo”, CUBA, com muito orgulho!
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Não é uma cifra exagerada; mas sim cautelosa. Meditei muito nisso depois da reunião do presidente Bush com os fabricantes norte-americanos de automóveis. A idéia funesta de converter os alimentos em combustível ficou definitivamente estabelecida como linha econômica da política exterior dos Estados Unidos na segunda-feira, 26 de março.Uma informação da AP, agência de informação norte-americana que chega a todos os cantos do mundo, diz textualmente:
“WASHINGTON, 26 de março (AP). - O presidente George W. Bush elogiou na segunda-feira, os benefícios dos automóveis que funcionam com etanol e biodiesel, numa reunião com fabricantes de veículos, na qual tentou impulsionar seus planos de combustíveis alternativos”.
“O presidente instou o Congresso a avançar rápido numa legislação que o governo propôs recentemente para ordenar o uso de 132 bilhões de litros (35 bilhões de galões) de combustíveis alternativos em 2017 e impor padrões mais exigentes de poupança de combustível nos automóveis”.
“Bush reuniu-se com o presidente do conselho e diretor geral da General Motors Corp, Rich Wagoner; com o diretor geral da Ford Motor Co., Alan Mulally e com o diretor geral do grupo Chrysler de Daimler Chrysler AG, Tom LaSorda”.
“Os participantes do encontro discutiram medidas para apoiar a produção de veículos que utilizem combustível alternativo, tentativas para desenvolver o etanol a partir de fontes como a relva ou a serragem, e uma proposta para reduzir em 20% o consumo de gasolina em 10 anos”.
Acho que reduzir e reciclar todos os motores que consomem eletricidade e combustível é uma necessidade elementar e urgente de toda a humanidade. A tragédia não consiste em reduzir esses gastos de energia, mas sim na idéia de converter os alimentos em combustível. Hoje se conhece com toda precisão que uma tonelada de milho só pode produzir 413 litros de etanol como média, conforme as densidades, equivalente a 109 galões. O preço médio do milho nos portos dos Estados Unidos aumenta em US$ 167 a tonelada. Precisa-se, por conseguinte de 320 milhões de toneladas de milho para produzir 35 bilhões de galões de etanol. Segundo dados da FAO, a colheita de milho dos Estados Unidos em 2005 atingiu os 280,2 milhões de toneladas. Embora o Presidente fale de produzir combustível a partir do céspede ou serragem, qualquer pessoa compreende que são frases carentes totalmente de realismo. Entenda-se bem: 35 bilhões de galões significam um 35 acompanhado de nove zeros! Depois virão belos exemplos do que na produtividade por homem e por hectare atingem os experimentados e bem organizados agricultores dos Estados Unidos: o milho convertido em etanol; os resíduos desse milho convertidos em alimento animal com 26% de proteína; o excremento do gado utilizado como matéria-prima para a produção de gás. Lógico, isto é depois de grandes investimentos só nas mãos das empresas mais poderosas, nas quais tudo tem que se mover sobre a base do consumo de eletricidade e de combustível. Aplique-se esta receita aos países do Terceiro Mundo e verão quantas pessoas deixarão de consumir milho entre as massas famintas de nosso planeta. Ou ainda pior: outorguem financiamento aos países pobres para produzir etanol do milho ou de outro tipo de alimento qualquer e não ficará uma árvore para defender a humanidade da mudança climática. Em Cuba, os álcoois eram produzidos como subproduto da indústria açucareira, depois de fazer-lhe três extrações de açúcar ao sumo de cana. A mudança climática já afeta nossa produção açucareira. Grandes secas alternam-se com chuvas recordes, que só permitem produzir açúcar durante cem dias com rendimentos adequados nos meses de nosso muito moderado inverno, de modo que falta açúcar em cada tonelada de cana ou falta cana por hectare devido às prolongadas secas nos meses de plantação e colheita. Acho que na Venezuela usariam o álcool não para exportar, mas sim para melhorar a qualidade meio ambiental de seu próprio combustível. Por isso, independentemente da excelente tecnologia brasileira para produzir álcool, em Cuba a utilização dessa tecnologia para a produção direta de álcool a partir do sumo da cana não constitui mais do que um sonho ou um desvario daqueles que se enganam com essa idéia. Em nosso país, as terras dedicadas à produção direta de álcool podem ser ainda mais úteis na produção de alimentos para o povo e na proteção do meio ambiente.
Todos os países do mundo, ricos e pobres, sem nenhuma exceção, poderiam poupar milhões de milhões de dólares em investimento e combustível simplesmente substituindo todas as lâmpadas incandescentes por lâmpadas fluorescentes, algo que Cuba fez em todas as casas do país. Isso significaria uma ajuda para resistir a mudança climática sem matar de fome os pobres do mundo.
Podem constatar que não uso adjetivos para qualificar o sistema e os donos do mundo. Essa tarefa fazem-na de maneira ótima os peritos em informação e os homens de ciências sócio-econômicas e políticas honestos que abundam no mundo e que vasculham constantemente no presente e no futuro de nossa espécie. É suficiente com um computador e o crescente número de redes da Internet. Alguns se perguntarão por que falo de fome e de sede. Eu lhes respondo: não se trata da outra face de uma moeda, mas de várias faces da outra peça, como podem ser um dado com seis faces, um poliedro com ainda mais faces.
Vou-me referir neste caso a uma agência oficial de notícias, fundada em 1945 e geralmente bem informada a respeito dos problemas econômicos e sociais do mundo: a TELAM. Disse textualmente:
“Aproximadamente dois bilhões de pessoas residirão em apenas 18 anos em países e regiões onde a água seja uma lembrança longínqua. Dois terços da população mundial poderiam viver em lugares onde a escassez provoque tensões sociais e econômicas de tal magnitude que poderiam levar os povos a guerras pelo prezado ‘ouro azul’”.
“Nos últimos 100 anos, o uso da água tem aumentado a um ritmo mais de duas vezes superior à taxa de crescimento da população”. “Segundo as estatísticas do Conselho Mundial d’Água (WWC, suas siglas em inglês), estima-se que em 2015 o número de habitantes afetados por esta grave situação atinja 3,5 bilhões de pessoas”.
“A Organização das Nações Unidas comemorou em 23 de março o Dia Mundial d’Água, instando a enfrentar desde esse mesmo dia a escassez mundial da água sob a coordenação da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO), com o objetivo de salientar a crescente importância da falta de água a nível mundial e a necessidade de uma maior integração e cooperação que garantam uma gestão sustentável e eficiente dos recursos hídricos”.
“Muitas regiões do planeta sofrem escassez severa de água, vivendo com menos de 500 metros cúbicos por pessoa, anualmente. Cada vez são mais as regiões que padecem a falta crônica do vital elemento”.
Neste caso não menciono outros fatos importantes, como os gelos que se derretem na Groenlândia e na Antártica, os danos na capa de ozônio e a crescente quantidade de mercúrio em muitas espécies de peixes de consumo habitual. Há outros temas que podem ser analisados, porém com estas linhas tento simplesmente fazer um comentário sobre a reunião do presidente Bush com os principais executivos de companhias automotrizes norte-americanas.
Março 28 de 2007
Fidel Castro
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Em Cuba, o acesso à educação em todos os níveis é gratuito e não há analfabetismo. As universidades cubanas são freqüentadas por centenas de milhares de pessoas. No mundo, dormem nas ruas 200 milhões de crianças. Nenhuma delas é cubana. Cem milhões de crianças de menos de 13 anos são obrigadas a trabalhar para viver. Nenhuma delas é cubana. Mais de um milhão de crianças são levadas à prostituição infantil e dezenas de milhares têm sido vítimas do comércio de órgãos. Nenhuma delas é cubana. Trinta mil crianças morrem diariamente no mundo de doenças como sarampo, malária, difteria e pneumonia, assim como de desnutrição. Nenhuma delas é cubana. Dezenas de milhares de médicos cubanos têm levado saúde e esperança aos mais longínquos recantos do mundo; milhares de professores cubanos levaram seu saber e a luz do conhecimento a outras terras; dezenas de milhares de jovens de mais de cem países se formaram em universidades cubanas, e outros tantos estudam hoje como bolsistas em nosso país. As eleições em Cuba são transparentes, os candidatos são propostos pelo povo, as urnas são protegidas por crianças, a contagem dos votos é pública, e não há nem sombra de fraude. Tudo isso foi feito, apesar do criminoso embargo econômico, comercial e financeiro imposto pelo governo dos EUA e pelo silêncio de boa parte do mundo.

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