Thursday, March 6, 2008

A Anarquia não é Utopia! ? ! ?

Muito do que, colégios, telejornais, avós e pais, nos passaram sobre o conceito anárquico, principalmente nos idos dos anos 80, afastou grande parte das pessoas do real entendimento desta palavra... Anarquia passou a significar bagunça, rebeldia, marca de Skate, de roupa para adolescente rebelde. Enquanto algumas sufocadas vozes tentavam explicar esta palavra tão temida por governantes e nações inteiras, o mundo expurgava, através de uma mídia tendenciosa, a terrível possibilidade de algum país desavisado implantar a filosofia anarquista como doutrina política, apesar, da mesma não designar tal significado. Vamos então dar em rápida definição para a tal da Anarquia, mas desta vez vocês não vão nem ouvir o jornal nacional, nem ler a revista Veja, com a palavra alguns anarquistas brasileiros: José Oiticica, Maria Lacerda de Moura, Domingos Passos, Florentino de Carvalho, Edgard Leuenroth.
“Anarquismo é uma palavra que deriva da raiz grega αναρχία — an (não, sem) earchê (governador) — e que designa um termo amplo que abrange desde teorias políticas a movimentos sociais que advogam a abolição do capitalismo e do Estado enquanto autoridade imposta e detentora do monopólio do uso da força. Exemplificando, Anarquismo é a teoria libertária baseada na ausência do Estado. De um modo geral, anarquistas são contra qualquer tipo de ordem hierárquica que não seja livremente aceita , defendendo tipos de organizações horizontais e libertárias.”
“Para os anarquistas, Anarquia significa ausência de coerção, e não ausência de ordem. Uma das visões do senso comum sobre o tema é na verdade o que se denomina por "anomia", ou seja, ausência de leis."
Quando o escritor russo Piotr Kropotkin, defendeu com unhas e dentes os conceitos do anarquismo e expôs importantes pontos do pensamento anárquico como a liberdade e a solidariedade, o mundo capitalista escandalizou-se, Piotr foi preso diversas vezes por participar de protestos estudantis e outras atividades revolucionárias, a Liberdade para Piotr, e para todo anarquista, é a base inconteste de qualquer pensamento, formulação ou ação, representando o elo sublime que conjuga de forma plena todos os anarquistas. Assim, a Liberdade deixa apenas o plano abstracional (do pensamento) para ganhar uma funcionalidade prática, sendo o símbolo e a dinâmica do desenvolvimento humano real. Em outras palavras, o princípio básico para qualquer pensamento, ação ou sociedade ser definida como anarquista é que esteja imersa, tanto abstracionalmente (ideologicamente), quanto pragmaticamente (no âmbito das ações), no conceito de Liberdade. Em sua famosa obra "O Apoio Mútuo", Piotr, expunha as vantagens que o princípio da solidariedade garante a cada indivíduo que as compõem.
Pois bem, a guerra fria já acabou, a Mcdonald é sucesso absoluto na Rússia, o francês Pierre-Joseph Proudhon, primeiro homem a se intitular comunista já morreu há quase 200 anos, Piotr Kropotkin faleceu em 1921 e o capitalismo venceu, pois nos ensinou direitinho que Anarquia é coisa de baderneiro e, sepultaram definitivamente o inimigo, quando criaram uma ligação mortal entre as palavras Anarquia e Utopia. É impressionante como tudo que traz novos conceitos ou novas perspectivas na sociedade atual, tem logo lá, um muito bem educado declamando com ares de intelectual “chinfrim”: “Ah meu nobre amigo, isso são Utopias.” ·
Mas percebam que a tal da Internet, aquela do Orkut e outras baboseiras, possui também seu lado anarquista, consegue mostrar facilmente, para aqueles que visualizam a rede com bons olhos, que a falta de leis, e do estado, não geram bagunça como papai falou, nem tão pouco destrói qualquer possibilidade de se construir uma realidade favorável ao bem estar geral. O Wickipédia é uma das grandes demonstrações dessas coisas que fatalmente teriam sido intituladas como Utópicas, mas falaremos dessa enciclopédia anarquista, que a cada dia bate recordes de acessos, em um outro momento.
A idéia principal deste texto também não é criar um grupo anarquista aqui na Bahia, rsrsrs se bem que seria até engraçado... na verdade este texto não passa de um convite para nos tornarmos um pouco mais anarquistas em nossos gostos, opiniões e vontades, de tentarmos “variar”, acho esta palavra excepcional, admiro as pessoas que decidem periodicamente dar uma variada em suas vidas, e a Internet está ai como uma ótima aliada, escute, leia, assista o que realmente lhe agradar, o que combinar verdadeiramente com a sua vontade, as possibilidades estão muito mais próximas do que você imagina.
Então é isso, esta aberto o marcador "anarquia", vou deixar minha dica anarquista aqui para vocês e espero a dica de todos... mandem novidades em quaisquer temas.
Minha dica é sobre música, com vocês, o genial multi-instrumentista americano:
Mr Andrew Bird
quem gostou e quiser conhecer mais o trabalho do rapaz ai... tai o link para download do disco Andrew Bird - The Mysterious Production of Eggs... bom som!

4 comentários:

Janelas do rosto said...

Gostei muito do teu blog, por isso, te mandei um selo, para visualizar só é me visitar.

Anonymous said...

Hoiii!!!

Acho que o ocaso do acaso me levou a pessoa certa para fazer o trabalho (vídeo)!

Gostei muito do que li! Pena que me tornar leitora de blogs interessantes deixou de ser uma anarquia em mim... Se bem que caso o conceito anárquico seja de fato imbuído de experiências... ele será, sendo, no mundo de cada um!!!

Gostei!

Beeeeeeeeeeeeijos

Verônica

nanda said...

Me sinto muito feliz com tudo o que li, e enriquecida em conhecimento!! xD

Imensos parabéns!!!

Anonymous said...

Buscava no Google uma resposta ao meu questionamento: o que querem os anarquistas? Se anarquia é ausência de estado, de hierarquia, de coerção, não passaria de utopia, algo inatingível?
Tomemos uma questão clássica que vai direito ao ponto crucial da questão. Se a violência (para aqueles em que poucas palavras não bastam, óbvio que aqui estão incluías os conflitos resultantes dos distúrbios psicológicos que vão de um leve estado neurótico a um estado psicótico avançado, e não esquecendo o elemento egoísmo humano) faz parte da natureza do homem, e enquanto existir humanidade irá existir, considerado isso, então a anarquia sugere que não coagindo as condutas nocivas ao convívio, ainda assim seria possível uma convivência pacífica e harmoniosa, com o sonhado estado de solidariedade e fraternidade tão sonhado pelos anarquistas?
O anarquismo puro é utópico e sempre será, enquanto houver humanidade. Para a possibilidade de existir anarquia pura teríamos que voltar ao período anterior a idade da pedra e sermos novamente apenas uma espécie animal entre as demais na luta pela sobrevivência.
O blogueiro anarquista escreve algumas linhas na tentativa de conciliar o pragmatismo com o anarquismo, como se isso fosse possível:
“Mas percebam que a tal da Internet, aquela do Orkut e outras baboseiras, possui também seu lado anarquista, consegue mostrar facilmente, para aqueles que visualizam a rede com bons olhos, que a falta de leis, e do estado, não geram bagunça como papai falou, nem tão pouco destrói qualquer possibilidade de se construir uma realidade favorável ao bem estar geral.”
Neste texto acima, observe a presença, aliás indispensável aqui, de uma frase que anula toda a razoabilidade de defesa do anarquismo: “possui também seu lado anarquista”. Ou seja, um “lado”, significa dizer que o anarquismo aí descrito não é puro, pois, mesmo no caso aí descrito, existe a possibilidade do estado agir e punir os excessos cometidos sob égide da liberdade das redes sociais, inclusive, podendo desmascarar os anônimos abusados.
Quanto às minhas dúvidas que buscaram entender o que querem os anarquistas, concluo que minha suspeita anterior continua intacta e reforçada: não há sentido em assumir como ideologia de vida (ou anti-ideologia, como queira) as diretrizes de uma filosofia fundamentada numa idéia abstrata incompatível com a vida em sociedade que, nem mesmo se voltássemos à anarquia existente anterior à idade da pedra, poderia ser viável num mundo com seis bilhões de indivíduos.