Monday, March 7, 2011

Músicos, musicões e musiquetas

Aos músicos, musicões e musiquetas baianos e brazucas... Há Alguns anos atrás um amigo me mostrou um blog onde um músico baiano me criticava por tapar com adesivo a marca de minha guitarra, dizia que eu não sabia nada da historia das guitarras, da importância daquele nome, das filosofias e ideologias dos instrumentos etc etc... Lendo a critica inumeras vezes juro que não entendi ao certo o que aquela “alma” queria dizer com tudo aquilo, não compreendi por que alguém me desprezava tanto apenas por achar mais bonito aquele adesivo do que a marca da minha guitarra... Apesar de tantos insultos e dos pedidos de meu amigo para que eu respondesse a altura, deixei pra lá (“coisa muito difícil deu fazer”), mas a verdade é que não respondi por incompetência, eu realmente não podia responder algo que não consegui compreender. O que ele queria de mim? Qual deveria ser minha conduta perante uma guitarra? O que os deuses guitarristas fariam comigo após tamanho pecado? Pensei em retirar o adesivo imediatamente, assim que meu amigo se retirasse, lógico, mas para meu pesar ele se demorou e acabei esquecendo. Vejam só como é falha esta nossa memória.
Os anos passaram, e há uma semana fiz um show tão intenso com a Scambo, que acabei entrando num transe, ou sei lá que nome se dá aquilo, acho que pela primeira vez na vida eu estava tocando percebendo a importância da música, dos meus objetivos de sair de Curitiba e morar em Salvador (a cidade mais africana do mundo), do zumbido que os tambores do candomblé me causam, do meu instrumento, do Pelourinho que é um lugar estranho, energético, tem de tudo... enquanto Pedruza (Pedro Pondé) arrebentava a alma gritando “é um tempo de guerra!”, texto de Guarnieri que adaptamos ao final da música Carcará, “espatifei” aquela mesma guitarra sem nome e sem marca no palco, não sei quantas vezes bati no chão, mas a cada estancada me sentia mais absorvido pelo som, mais sensível ao entendimento, mais leve... Fui para o camarim, e no caminho vi o Pelourinho me olhando, entendi aquele olhar por dois segundos apenas e voltei ao absurdo reconhecimento daquele lugar, não sou digno dessas coisas, lembrei o que tinha sentido, e feito no palco. Pedro foi o primeiro a chegar no camarim e percebi que não só eu fui arrebatado por “aquilo”, os olhos de Pedro estavam maiores que o normal. Falei algumas coisas que não me lembro com ele, acho que ele me respondeu que estava sentindo dor, que tinha caído, depois gritamos juntos, mas de alegria. Vi o roadie levando pro carro os pedaços da guitarra que sobraram do “massacre” em praça pública...
De tantas coisas que aconteceram neste dia vou aqui contar talvez a menos importante, mas é que este texto tem seus propósitos e não posso ir muito mais longe do que já fui. Pois então que se diga logo... Sentado olhando para aquilo que um dia chamou-se de guitarra formulei em minha cabeça a resposta que deveria ter escrito às criticas do blog anos atrás:
Caro amigo critico e sábio músico, acabo de destruir minha guitarra de cabo a rabo e tenho uma importante descoberta a lhe revelar, após pesquisar cuidadosamente pedacinho por pedacinho não foi encontrado nem por dentro, nem por fora ou por qualquer outra parte de minha guitarra importada, nada além do que madeira, ferro e alguns pobres fios elétricos. Abraços apertados.
Bom, mas o objetivo verdadeiro deste texto não é este e sim dar uma dica aos músicos, musicões e musiquetas baianos, brasileiros ou que seja lá do mundo inteiro.
Muito se escuta e se discute sobre marcas, instrumentos, amplificadores, pedais e microfone quando dois ou mais músicos se encontram. Apesar de detestar esse tipo de conversa e sempre ter procurado me manter na devida distancia dessa gente, resolvi fazer uma livre analise sobre esse tema. Então, para que eu inicie o relato de meus testes e experiências, devo deixar bem claro, primeiramente, meus conceitos sobre instrumentos, qualidade sonora e música.
  • Instrumento/marca/modelo: o instrumento mais importante para um guitarrista são os dedos e as mãos, e se vc for um pouco surdo ai esta tudo certo, infelizmente essas coisas não se compra nem nos EUA, pelo menos que eu saiba.
  • Música: conjunto de notas que quando tocadas ao mesmo tempo por um só instrumentista ou por um conjunto esteticamente absorvido pelo seu próprio som causa arrepio.

Com essas noções em minha cabeça lancei-me no feroz mercado de instrumentos musicais a fim de encontrar a verdadeira resposta e montar um set digno de um guitarrista (o que afinal de contas não procuro ser). Pedi algumas dicas e todas foram: “bom mesmo são os importados”. Comprei alguns pedais importados de primeira: Distorção RAT PRO CO, Delay Line 6, Big Muff,Tremulo Boss, a guitarra eu já tinha uma importada e faria os outros testes com guitarras de amigos. Quando cheguei aos amplificadores tive alguns problemas, ou, posso agora chamar de soluções, além de meu dinheiro ter quase acabado por causa dos “importados”, quem traria dos EUA uma caixa de 30, 40 Kg.

Essa pausa me fez lembrar algumas conversas sem propósito que tive durante minha vida na musica. Lembro que um amigo me contou que o cd do antigo babado novo tinha sido mixado nos EUA e quando chegou aqui tava tão ruim que foi totalmente refeito na velha e boa WR, isso é fato, nenhum americano, nem estúdio americano, vai mixar um tamborim melhor que a WR. Assim como a WR não irá gravar nenhum som parecido nem de longe com o Nirvana.

E essa é a verdade, tudo esta relacionado, não só os instrumentos, mas o mundo onde se vive; Vejo as novas e velhas bandas de rock baiano com suas calças jeans apertadas, seus tênis all-star, fazendo tudo para imitar os ingleses e só posso lamentar. Por que se tu nasceste em Brotas, come acarajé pelo menos uma vez na semana, toma banho de mar na Barra e nunca viu um inverno de verdade em sua vida; por mais que vc gaste todo seu dinheiro com equipamentos importados idêntico aos das bandas gringas, você jamais vai atingir a atmosfera deprimida de um Radiohead, ou a psicodelia de um Led Zepelim. E na verdade isso não é necessário, vc apenas precisa entendê-los, absorve-los e vomitá-los na sua realidade. Com esses pensamentos na cabeça, fui escutar as bandas que considero os nossos Led Zepelim e Beatles, que são respectivamente Os Novos Bahianos e Os Mutantes, ai foi fácil achar a resposta e direcionar a compra dos equipamentos. Tudo deveria ser nacional... não por amor a Patria, de jeito nenhum, rsrrs(basta apenas ler o tópico anterior) mas pelos simples resultados, após as experiências realizadas não perdemos em nada para os importados; Segundo, por que o importante mesmo é a musica que se cria e se toca, pois se a “donzela” for realmente boa, até uma caixinha de fósforo como acompanhamento ta valendo, agora se a musica é ruim pode encher de fender, de marshall, botar cabelo rastafári, comprar tênis adidas, botar uma camisa de Bob, do Jimy etc etc que não rola.

Primeiro passo, achei uma Giannini 1965 Supersonic e depois tive a felicidade de conhecer uma figuraça chamada Tavio Miranda - http://www.tmiranda.com/, baiano da gema, “ACREDITEM”, comedor de acarajé e caruru que nem vc; os pedais do Miranda compõem hoje todo meu set de pedais. Sendo por mérito, pois todos venceram os importados citados acima. A pouco adquiri o cabeçote King 30 (chave de potencia 30/12w, bivolt, dois canais - normal e brilhante - com reverb de mola accutronics. E o som?-------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- sem palavras. Quem quiser colocar seu JCM, Fender Deville ou Vox pra um verdadeiro duelo é só me ligar. Só não vale chorar depois hein...

Vou colocando as fotos e os vídeos dos equipamentos que adquiri e que fiz as experiências com os importados aos poucos que o tempo é curto. Um dos melhores é o do RAT PRO CO tomando pau de um pedal Brazuca que custa a metade do preço e a assistência técnica esta perto de vc.

Vamos lá gente, bota um brinco de pena na orelha, doa o all-star pra um mendigo, veste um conga qualquer, toma um chá de zabumba e vamos fazer um som na real.

2 comentários:

Anonymous said...

Caramba! Li o texto todo e gostei mas a melhor parte foi: "bota um brinco de pena na orelha, doa o all-star pra um mendigo, veste um conga qualquer, toma um chá de zabumba e vamos fazer um som na real."
Na real eu não faço som, apenas arranho umas notas no violão e numa flauta de madeira 'made in capão'rsrs
ahh e quanto ao chá de zambumba, é uma experiência boa hein, meio louca demais. rsrs
Juro que queria ver vc de brinco de pena! rsrs

Texto sincero, gostei... =)

Abraços,

Julia

Leandro Matos said...

Belo som, ta ai vc quebrando sua guitarra importada heueh http://www.youtube.com/watch?v=BiH9BJozXE8
heuehue de fuder, tbm tenho Tmiranda e é muito foda. sou de onde??
de Alagoinhas - Baaêa