Tuesday, November 15, 2011

Amigos...

Certo dia, na casa de amigos, logo após o nascimento de minha filha... todos muito felizes por mim, o novo pai, brincavam que agora eu era fornecedor, que o filho deles era meu genro... etc etc... brincadeiras que só rolam entre amigos... e só eu sei como amo meus amigos com todas as minhas forças...Mas não só eles como a humanidade inteira sabe que todo amor tem suas cobranças, no meu caso não são bem cobranças, seria melhor dizer que gosto de provocar, de criar o ambiente da analise. Eles estão cansados de saber também que sou do tipo arisco, chato cric cri, arrogante, e por ai se vá longe nos elogios que eles mesmo me caracterizam... E todos tem razão sou chato, não relaxo e não tenho problema algum em me indispor com ninguém, aliás se indispor com as pessoas será o próximo tema que estou com muita vontade de escrever, quanto mais com meus amigos... me indispor com eles ou ao menos falar sobre coisas que não concordo e sobre coisas que penso e que sei que eles pensam diferente é uma forma de nos aproximar, de melhorarmos como indivíduos e como amigos. 

Mas voltemos ao dia das brincadeiras... adoro que brinquem comigo com apelidos, com minha aparência, até por que sou do tipo que adora tirar sarro dos outros... porém mais importante que essas brincadeirinhas é que descobri que no auge desses momentos felizes existe uma total descontração, e essa é a real oportunidade para se colocar na roda um assunto que se gostaria de discutir com as pessoas que estão ali naquele momento.

Foi então que senti a hora propícia para provocar, um assunto que a muito me incomodava pela forma como a grande maioria de meus amigos pensa e age. Calma, não quero que ninguém mude, que pensem como eu... não, nada disso... sou chato sim mas não do tipo pastor de igreja universal... convivo muito bem com as diferenças... até preciso delas para viver... apenas gosto de provocar conversas mais verdadeiras, mais interessantes. Estávamos rindo, tinha mais ou menos sete a oito amigos ao meu redor... então falei com o direito do silencio alheio que só o pai do dia teria:

“Minha filha pode ser a maior galinha da Bahia e do Brasil (eu no lugar dela seria, pois sentir prazer é uma das melhores coisas dessa vida, seja com 1 ou com 1000), pode dançar pagode, gostar de ouvir Claudia Leite (papai compra um super fone de ouvido para o som não vazar para os ouvidos do papai), pode ser gay (Papai até prefere ter uma “genra” cheirozinha do que um “genro” barbudo)...”

...nesse momento senti que uma parte dos meus amigos fez aquela cara... La vem esse cara com falando besteira... mas como já estou acostumado continuei...

“Minha filha pode fazer o que ela quiser até por que a vida é dela e não minha... alias, sou agora pai, mas continuo tendo também uma vida só minha, com meus sonhos, meus projetos independentes de minha filha...

...neste momento já estavam metade de cabeça baixa e outra metade achando um espaço pra sair daquele aposento...  então finalizei...

“e por amar incondicionalmente minha filha tenho certeza de apenas uma coisa ... (e ai veio o grande momento o assunto que gostaria de botar em pauta, que não tinha nada a ver com pais e filhos etc etc etc, tadinha usei a bixinha pra falar o que queria)... vamos lá... “Se algum dia minha filha aparecer com uma camisa da seleção Brasileira ou de qualquer outro clube de futebol tenham certeza de que não fui eu que comprei e que fui extremamente contra ela vestir tal vestimenta.”

Resultado, em menos de 15 segundos fiquei só no sofá, totalmente solitário, um pai abandonado, ou melhor minto... enquanto ouvia uns xingamento se distanciando olhei no horizonte e vi que não estava só, 1 pares de olhos que não estavam na animada conversa mas que observava tudo do outro canto da sala me encarava com um meio sorriso no rosto... ah meu amigo como amo-te e como me basta...

Bom para aqueles “amigos” que não entenderam dou uma segunda chance com um especialista no assunto e deixo um recado de um desconhecido...
“Vamos lá pátria de chuteiras, a ignorância é grande mas vocês conseguem...” – Mendigo de Itapua - devidamente vestido com a camisa 10 de R10 na sinaleira de Itapuã, durante um amistoso da seleção Canarinho que não assisti pois estava trocando idéias com o tal mendigo em troca de 2 reais, negócio altamente capitalista e lucrativo para mim.




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